segunda-feira, 18 de março de 2013

A Dívida Externa Brasileira

Foi publicada uma matéria na Agência Brasil a respeito do crescimento da dívida externa de 2012 em relação ao patamar de 2011.

Vamos analisar em primeiro lugar, o que significa este crescimento e os motivos que levaram a tal fato ocorrer.

O governo federal tem por objetivo estimular o crescimento econômico do país e para tal, necessita de investir. Investimento implica... diretamente gastos, e gastos implicam diretamente verbas, caixa, numerário.

Se a atividade econômica não permite uma arrecadação tributária suficiente, ou uma captação de dívida interna satisfatória, o governo recorre aos empréstimos externos para atender às suas necessidades.

Momento oportuno: mundo em crise, bancos europeus falindo, juros brasileiros com remuneração melhor do que os de países do primeiro mundo e perspectivas otimistas em relação à nossa economia.

Fatores prós: maior volume de captação e menores juros a serem pagos, em virtude de o mercado externo trabalhar com patamares inferiores à taxa SELIC.

Fatores contras: os juros são flutuantes (LIBOR) e a variação cambial pode prejudicar sobremaneira o valor de nossa dívida em caso de desvalorização do real.

Abarrotado de recursos, o governo federal passa então a canalizá-los em suas obras faraônicas, seus programas assistencialistas de “Bolsa-aquilo” e “Bolsa-não-se-sabe-mais-o-quê”. Se irão gerar retorno para o pagamento dos juros da dívida, não sabemos ainda, mas o que é sabido é que a arrecadação tributária já passa de um terço do nosso PIB, ou seja, não dá mais para elevar a arrecadação, o empresariado e os contribuintes não conseguem mais trabalhar para pagar tributos, e recorrer aos empréstimos bancários para comprar remédios ou o pão de cada dia.

O aumento das reservas internacionais em proporção maior ao aumento da dívida nos dá um certo conforto, significa que há recursos suficientes para efetuar o pagamento da dívida em caso de crise grave atingindo o país. De qualquer modo, o fator preocupante é saber se realmente teremos condições de honrar com estes pagamentos sem que haja sacrifício no bolso do contribuinte.

Os programas de distribuição de renda são os únicos que ainda vigoram com fluência no governo, porque os programas de crescimento econômico foram todos um fiasco: o PAC encontra-se com sérios problemas de licitações fraudulentas e está com obras paralisadas e pagamentos interditados. A Petrobrás está atrasando o pagamento a fornecedores, coisa impensável para uma empresa do porte dela.

Sem essas duas molas impulsoras da nossa economia, fico realmente bastante preocupado em saber se haverá condições confortáveis de honrar com os pagamentos dos juros de uma dívida externa que teve um crescimento significativo de dois anos para cá, ou seja, desde que a presidente Dilma Roussef assumiu.


Afrânio F. Bressan
Diretor Financeiro da Associação Nacional dos Militares do Brasil – ANMB
Economista

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