domingo, 2 de junho de 2013

Insatisfeitos, militares convocam protesto por dois lados na Comissão da Verdade


Marcelo Machado, sargento reformado do Exército é um dos organizadores do ato marcado para o próximo dia 11, diz que onda de insatisfação pode gerar motins nos quartéis

Vasconcelo Quadros - iG São Paulo 
Presidente da Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB), o sargento reformado do Exército, Marcelo Machado, um dos articuladores da reação da direita às investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) afirma que uma onda de insatisfação no meio militar pode gerar motins nos quartéis em protesto contra o governo e em resposta a “passividade” com que, a seu ver, têm se comportado os comandantes das Forças Armadas.



“O governo está usando a Comissão da Verdade para desmoralizar as Forças Armadas. Somos favoráveis à apuração da tortura e desaparecimentos de presos políticos, mas também queremos que se investiguem os sequestros, assaltos e explosões de bomba envolvendo a esquerda. Tem de mostrar os dois lados”, diz Machado.
Segundo ele, mais de 95% dos efetivos militares são formados por jovens que tomaram conhecimento dos anos de chumbo pela leitura de livros oficiais e que agora – diante das novas revelações – podem ser induzidos a entender a história da luta armada apenas pela versão da esquerda. Ele diz que os militares e policiais que atuaram contra as organizações que pegaram em armas cumpriram ordens.
“É como uma panela de pressão. Sem válvula de escape, explode. Além do sucateamento das Forças Armadas e dos péssimos salários, os militares estão sendo humilhados. A insatisfação dentro das unidades militares é generalizada. Tenho recebido reclamações e informes de que pode ter motim”, afirma Machado. Segundo ele, o Rio de Janeiro é o principal ponto de insatisfações do país.
A mobilização de militares está sendo coordenada pela ANMB e por outra entidade correlata, a União Nacional das Esposas de Militares (UNEMFA), que pretendem reunir mais de três mil pessoas em Brasília no próximo dia 11 num evento que vem sendo organizado como a primeira manifestação pública contra os rumos das investigações CNV.



A lei que criou a CNV – que não tem poder de punir nem de produzir peças processuais – restringe as investigações aos crimes praticados por agentes da ditadura. As ações de militantes da esquerda armada (sequestros, assaltos e assassinatos), segundo entendimento do governo e dos integrantes da CNV, representaram resistência ao regime ditatorial e já foram punidos com prisões, condenações e banimento durante o período de repressão.
“A manifestação é uma reação democrática da família militar contra o revanchismo. Não terá nenhum caráter partidário”, garante Machado. Até entrar para a reserva, ele era terceiro sargento do Exército no Rio. Além do comando da entidade, Machado é também presidente do diretório municipal provisório da Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que sustentou a ditadura militar e está sendo reestruturado no País pela estudante gaúcha Cibele Baginski.
Machado diz que as entidades representam cerca de 5, 2 milhões de militares ativos e inativos das Forças Armadas, corpos de bombeiros e polícias militares de todo o País.
As reações contra as investigações sobre os crimes da ditadura começaram no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com declarações de dirigentes dos clubes militares e dos comandantes das Forças Armadas contra o lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, em 2009.
Para tentar estabelecer contraponto, a direita editou e passou a distribuir o Orvil (livro ao contrário) em que listou os atos da esquerda armada segundo a versão da polícia e dos militares que atuaram na repressão.
Com a instalação da CNV, no ano passado, as reações da direita passaram a ser mais ostensivas, mas estavam restritas a declarações de dirigentes dos clubes militares, insistindo sempre que as conclusões só terão a verdade que a esquerda quer.
Os militares acham que o objetivo da CNV é pressionar o Supremo Tribunal Federal a aceitar a revisão da Lei da Anistia para abrir possibilidade de punição aos agentes acusados de tortura, assassinatos e ocultação dos corpos de desaparecidos no período.
O ato programado para o próximo dia 11 é a primeira manifestação em que os militares saem às ruas para protestar. “Já pedimos apoio da PM do Distrito Federal e faremos tudo dentro da lei e da ordem. As despesas serão bancadas individualmente por cada manifestante e ninguém está autorizado a usar camiseta ou qualquer objeto que caracterize partido político”, afirma Machado. A ANMB e UNEMFA, no entanto, estão alinhadas politicamente à Arena.
“A manifestação não é um ato do partido, mas estamos liberando os companheiros que quiserem participar”, afirma Cibele Baginski. Segundo ela, o partido é de direita, representa as correntes nacionalistas e conservadoras, combate “a parcialidade” da CNV, mas agirá dentro da ordem democrática. “Descartamos qualquer radicalismo”, garante a estudante.

Fonte: Último segundo IG

4 comentários:

  1. Sinceramente eu não creio que essa luta seja nossa (os praças)não vou ficar debatendo, lutando por esse bando de torturadores. Hoje mesmo vivendo em uma democracia vejam o que esses Generais estão fazendo com a família QE, torturando todos nós e a nossa família, com ameaças de retirar o PL 4373/2012, de nos tratar como se não fossemos de carreira. Até a nossa promoção não é publicada no Informex, tem que ser a parte nos Comandos Militares de Area. Chega, os altos coturnos que se virem com essa comissão, seja ela da veradade ou meia verdade, o fato que essa luta não é nossa.

    ResponderExcluir
  2. Sr Machado, quem torturou e matou tem que responder por isso, quem deve responder por isso é o Exército. O governo instituído combate a bandidagem com a Lei, e a Lei não permitia torturar e matar.Outra coisa, os atuais inimigos estão no EB, não na política.

    ResponderExcluir
  3. Companheiro

    Bom dia,

    O comentário é bem apropriado. Esse Sgt Machado, acredito que seja muito alienado, talvez até cego e surdo (que me desculpem os portadores dessas dificuldades).

    Pergunto ao Sgt Machado se há algum oficial por aí dizendo que os Quartéis estão a ponto de explodir em rebelião. Particularmente, como Praça que sou, desconheço este fato.

    Acredito que quem escreveu o texto acima ou está querendo aparecer na mídia, de forma errada, usando a imagem dos militares, ou está maluco, doido, perdeu completamente a noção da realidade.

    A princípio não dei a esse cidadão e as entidades que ele representa nenhuma procuração colocando-o como meu represente e, creio que inúmeros militares pensam da mesma forma.

    Quanto a volta da ditadura; isto não passa de balela, pois o contexto mundial não permite que isto venha a ocorrer. Ademais nenhuma ditadura presta, seja ela de direita ou de esquerda.

    Nós Sgt do Quadro Especial já vivemos numa ditadura, não nos interessa que outra venha sobrepor-se a esta que nos oprime a décadas.

    Se este suposto movimento viesse na busca por dignidade e melhores salários para todos os militares, em particular os praças, talvez pudesse envolver um número significativo de militares.

    Ademais, isto aí e só briga dos oficiais das gerações passadas, que outrora cometeram excesso em nome do poder, que hoje já não dispõem. Então companheiros eu sugiro que fiquemos apenas como observadores, pois essa briga pertence a eles, só a eles.

    A nossa luta é outra.

    Abraço a todos,

    Nos encontraremos na vitória!!!!!!

    Tobex - Sgt QE (Recife-PE)

    ResponderExcluir
  4. Companheiro

    Bom dia,

    O comentário é bem apropriado. Esse Sgt Machado, acredito que seja muito alienado, talvez até cego e surdo (que me desculpem os portadores dessas dificuldades).

    Pergunto ao Sgt Machado se há algum oficial por aí dizendo que os Quartéis estão a ponto de explodir em rebelião. Particularmente, como Praça que sou, desconheço este fato.

    Acredito que quem escreveu o texto acima ou está querendo aparecer na mídia, de forma errada, usando a imagem dos militares, ou está maluco, doido, perdeu completamente a noção da realidade.

    A princípio não dei a esse cidadão e as entidades que ele representa nenhuma procuração colocando-o como meu represente e, creio que inúmeros militares pensam da mesma forma.

    Quanto a volta da ditadura; isto não passa de balela, pois o contexto mundial não permite que isto venha a ocorrer. Ademais nenhuma ditadura presta, seja ela de direita ou de esquerda.

    Nós Sgt do Quadro Especial já vivemos numa ditadura, não nos interessa que outra venha sobrepor-se a esta que nos oprime a décadas.

    Se este suposto movimento viesse na busca por dignidade e melhores salários para todos os militares, em particular os praças, talvez pudesse envolver um número significativo de militares.

    Ademais, isto aí e só briga dos oficiais das gerações passadas, que outrora cometeram excesso em nome do poder, que hoje já não dispõem. Então companheiros eu sugiro que fiquemos apenas como observadores, pois essa briga pertence a eles, só a eles.

    A nossa luta é outra.

    Abraço a todos,

    Nos encontraremos na vitória!!!!!!

    Tobex - Sgt QE (Recife-PE)

    ResponderExcluir