sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Providências são tomadas só depois que alguém morre

Obra em viaduto que matou duas pessoas em Ceilândia vai até abril

Passagem interditada: a tubulação que passa sob o viaduto será expandida para evitar acúmulo de água
 
Começam hoje os reparos na tubulação do acesso de Ceilândia Norte onde duas pessoas morreram afogadas em pouco mais de três meses. Quem passa pela região deverá usar rotas alternativas por cerca de 70 dias
O viaduto da QNN 5/7, em Ceilândia Norte, ficará interditado entre 60 e 70 dias para a tão esperada reforma. A expansão da tubulação começa hoje, segundo a Secretaria de Obras. Os reparos para minimizar os efeitos das chuvas são esperados há tempos pela comunidade, que se arrisca ao passar pela estrutura. Em pouco mais de três meses, houve duas mortes no local. A última delas aconteceu na madrugada de terça-feira, quando Manoel Silva Júnior, 20 anos, ficou preso em um Gol. Enquanto os operários estiverem trabalhando, os motoristas deverão seguir por rotas alternativas sugeridas pelo Departamento de Trânsito (Detran).

Na manhã de ontem, aqueles que não sabiam da interdição tentaram passar pelo viaduto. O Detran e a Administração Regional de Ceilândia impediram o tráfego na noite de quarta-feira. A medida, no entanto, foi tardia. Isso porque, em outubro do ano passado, a menina Geovana Moraes de Oliveira, 6 anos, afogou-se dentro de um ônibus escolar que ficou submerso no local. Com a morte de Manoel, o governo reconheceu que errou ao não tomar nenhuma providência.

A dona de casa Teresa Rodrigues Marques, 44 anos, mora ao lado do viaduto e passa todos os dias pela estrutura. Para ela, a obra é um alívio. “Essa iniciativa é boa porque aqui é muito perigoso. Quando chove, enche de água. Na verdade, demoraram para fazer isso”, avaliou. O técnico de ar-condicionado Jadir Maia, 48 anos, atravessa a via diariamente para ir ao trabalho. E precisou se arriscar em dias de chuva. “Tinha água, mas dava para passar. Mesmo assim, é perigoso”, contou. Representantes da Administração de Ceilândia estiveram no local ontem e disseram que, por ser em caráter de emergência, a intervenção será realizada sem licitação.
Fonte: Correio Braziliense

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