domingo, 9 de fevereiro de 2014

Com apoio de Feliciano, Bolsonaro quer Comissão de Direitos Humanos


Deputado do PP é conhecido por contestar cotas raciais e direitos LGBT.

Líder do PT diz que fará 'todo esforço' para retomar comissão neste ano.

Nathalia Passarinho e Felipe Néri
Do G1, em Brasília
Com o apoio do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), conhecido pela postura de enfrentamento com a comunidade LGBT e outros movimentos sociais, afirmou nesta quinta-feira (7) ao G1 que trabalha para se eleger presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Parlamentar que cumpre o sexto mandato, Bolsonaro é famoso por defender a ditadura militar, o rigor na educação dos filhos, e medidas que reforcem "a família tradicional". Ele apoiou o polêmico mandato de Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos, que gerou protestos frequentes na Câmara de grupos que defendem os direitos dos negros e homossexuais.

O comando das comissões deve ser definido neste mês pelos partidos políticos com representação na Câmara. As siglas com as maiores bancadas têm direito de escolher primeiro os colegiados que pretendem presidir. O PT, maior bancada da Câmara, se reúne na próxima terça (11) para definir qual das três comissões irá comandar.

"O nosso bloco, o PP-PROS, tem direito a duas comissões. Se o PT não quiser a Comissão de Direitos Humanos, há chances de ficarmos com ela e eu serei a indicação do partido. Já está definido”, afirmou Jair Bolsonaro ao G1.

O lider do bloco PP-PROS, Eduardo da Fonte (PE), afirmou ao G1 que Bolsonaro está se saindo " muito bem" na tarefa de convencer a bancada a presidir a Comissão de Direitos Humanos.

"Ele já conversou com vários deputados e está tendo sucesso no pleito. Alegou que vai conseguir 1 milhão de votos na eleição [de outubro] e elegerá uma bancada maior. Está avançando bem. Minha tarefa, como líder, é ver na próxima terça qual a posição oficial dos membros do partido", destacou Da Fonte.

Para Bolsonaro, a Comissão de Direitos Humanos será uma boa "vitrine" tanto para o PP quanto para o PROS nas eleições de outubro. "Eu estou no sexto mandato. A comissão, com Feliciano, teve muita visibilidade. É bom pra mim, para os outros integrantes, especialmente em ano eleitoral. Temos bandeiras que são de interesse de quem tem vergonha na cara", disse o parlamentar do Rio.

Feliciano

A assessoria do deputado Marco Feliciano informou que o parlamentar paulista "apoia totalmente" a candidatura de Bolsonaro ao comando do colegiado de direitos humanos. Bolsonaro é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal por "racismo" contra a cantora Petra Gil. Em março de 2011, em entrevista ao programa "CQC", da TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que não discutiria "promiscuidade" ao ser questionado pela cantora sobre como reagiria caso o filho namorasse uma mulher negra.
Sobre o fato de ser conhecido por declarações consideradas racistas, Bolsonaro afirmou acreditar que negros e brancos devem ter os mesmos direitos e criticou a política de cotas para negros e pobres nas universidades.

"No tocante ao racismo, eu sou daltônico. Todos são iguais perante a lei. Sou contra qualquer tipo de cota. O negro não é diferente de nós. Não podemos estimular ódio e racismo entre nós. Se depender de mim, política de cota não vai ter espaço", enfatizou.

Bolsonaro é famoso ainda por críticas a movimentos de defesa aos direitos dos homossexuais e foi um dos maiores oposicionistas a iniciativas do governo contra a homofobia, como o chamado "kit gay", material que seria distribuído em escolas pelo Ministério da Educação, mas acabou vetado pela presidente Dilma Rousseff em 2012.

Indagado sobre a forma como lidaria com a questão se fosse eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado afirmou que vai trabalhar para que gays não sejam tratados como "deuses". "O homossexual tem qualquer direito, como eu tenho e você tem. Mas hoje parece que homossexual é semideus. Isso não pode."

Bolsonaro afirmou ainda que não teme "pressões" da sociedade contra sua candidatura ao comando do colegiado. "Eu adoro pressão. Pressão é uma maravilha. Eu sou recordista de responder processo de cassação. Grupo de gay gritando? Bota algodão no ouvido e toca o barco", afirmou.

PT contra

Líder do PT na Câmara, o deputado Vicentinho (SP) afirmou que o partido fará "todo esforço" para evitar que Bolsonaro presida a comissão. O partido se reunirá na terça-feira (11) para definir quais serão as três comissões que serão presididas por membros da sigla.

O PT tem a Comissão de Direitos Humanos como uma de suas prioridades, ao lado de outros colegiados disputados, como a de Constituição e Justiça, a de Educação, a de Saúde e a de Agricultura.

"Vou fazer todo o esforço para que o que aconteceu ano passado não ocorra este ano. Teremos uma definição na terça-feira. O colegiado é uma das prioridades do PT na disputa para presidir as comissões. Nós estamos discutindo ainda na bancada como ficará", disse Vicentinho.

Em 2013, a presidência da Comissão de Direitos Humanos ficou a cargo do PSC após o PT abrir mão do colegiado. O ato acabou fazendo que o deputado Marco Feliciano comandasse os trabalhos na comissão. "Há uma clamor interno pela Comissão de Direitos Humanos, mas não definimos as prioridades ainda", completou Vicentinho.

Fonte: G1 Política

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