terça-feira, 15 de abril de 2014

Entrevista: Brasileira na ONU fala do emprego de mulheres para conter distúrbios civis no Haiti

Primeira mulher da Polícia Militar do Brasil a se tornar selecionadora de tropas policiais que atuam em manifestações num terreno de missão de paz, capitã Natália mostra importância de superar barreiras de gênero.
Foto: MINUSTAH

Capitã da Polícia Militar do Distrito Federal, Daniela Natália Teixeira se destaca por ser a primeira mulher brasileira a coordenar tropa policial das Nações Unidas para contenção de distúrbios civis. Ela representa uma mudança cultural e de gênero lenta, mas necessária, para as missões de paz.

O desafio é enorme: apenas 3,7% dos militares e policiais nas missões de paz são mulheres e, como a responsabilidade pelo envio dos trabalhadores nessas operações é responsabilidade dos Estados, esse quadro tem evoluído pouco nos últimos anos.

Natália, contudo, acredita que sua liderança no processo seletivo de homens e mulheres para servirem no Haiti contribui para mudanças positivas. Recentemente, a capitã viajou ao Paquistão, país de tradições islâmicas, influenciando na escolha da primeira paquistanesa que integrará uma Unidade de Polícia Formada (FPU, na sigla em inglês) – que é a companhia empregada para conter manifestações violentas.

“Eles mesmos [paquistaneses] ficaram extremamente surpresos porque não estavam esperando ser testados por uma mulher. Não existe mulher na área operacional nas tropas paquistanesas ainda nos dias de hoje”, explica a capitã em relação aos contingentes que atuam em missões de paz.

Natália conversou por telefone com a jornalista Damaris Giuliana, com exclusividade para o Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), sobre a importância de superar barreiras de gênero na Polícia da ONU (UNPOL) e sobre como o pioneirismo feminino nessa área está ajudando mulheres haitianas a melhorar de vida.

“O trabalho da mulher é essencial principalmente quando você está em contato direto com a comunidade”, defende. Além disso, “as mulheres e meninas haitianas conseguem ver através da mulher policial internacional uma possibilidade de prospecção no futuro”.

Antes de ingressar na UNPOL, a capitã foi uma das primeiras mulheres a atuar na coordenação da segurança de um presidente brasileiro. O interesse por missões de paz surgiu quando acompanhou Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU em 2008.
Fonte:http://www.onu.org.br/entrevista-brasileira-na-onu-fala-do-emprego-de-mulheres-para-conter-disturbios-civis-no-haiti/

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