sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Disputa por guarda de criança causa comoção nas redes sociais

Brasilienses prometem manifestação contra guarda após publicação de garoto implorando para não ser levado pelo pai. A Defensoria Pública do DF vai pedir reconsideração do caso
Jéssica Antunes

Nas redes sociais, um vídeo de um garoto de seis anos implorando para não ficar com o pai após decisão judicial causou comoção e revolta por supostos casos de agressão.
Até às 16h desta quinta (28), a publicação mantinha mais de 30 mil curtidas, quase 15 mil comentários e duas milhões visualizações. Na página criada pela família materna, mais de 70 mil manifestaram apoio.

Por ser processo sigiloso, os órgãos judiciais do Distrito Federal não comentam o caso. O recurso pode ser julgado na sexta (29). 
As imagens foram gravados na noite de quarta (27) no Fórum do Riacho Fundo logo depois de o juiz Edmar Ramiro Correia determinar que a guarda do garoto voltaria a ser do pai, que mora em Capivari, no interior de São Paulo. A família materna acusa o pai da criança de agressões e reclama que nem o garoto nem testemunhas foram ouvidas na audiência. 
Pelas redes sociais, onde o vídeo viralizou, brasilienses planejam fazer uma manifestação. O ato está previsto para acontecer na manhã desta sexta (29) em frente ao Tribunal onde a decisão foi proferida. 
Histórico de agressão
A mulher, R.B.S., de 31 anos, conta que a agressividade do ex-marido começou após o casamento. Em 2012, se separaram e, por ameaças, deixou o filho com o pai.  “Ele ameaçava me matar, matar meu filho, minha família. Eu não acreditava que ele pudesse fazer algo com o próprio filho”, afirma. Ela garante que foram dois anos sem ver o filho, até que recebeu denúncias de maus tratos. 
Com amigos, foi ao município paulista, onde o filho lhe teria contado casos de agressão diária por parte do pai e da madrasta. Lá, decidiram trazer o garoto para Brasília mesmo sem autorização judicial. Naquele mês, ainda segundo a mãe, ela conseguiu a guarda provisória do garoto, mas a fuga gerou um mandado de busca e apreensão que culminou na audiência de terça (27). 
O processo, agora, está nas mãos do defensor Leandro Nascimento. “Vamos entrar com um recurso para ver se a decisão é reanalisada e pedindo uma liminar para que o desembargador analise”, explicou. 
Nada a declarar 
“Os processos da área de família são sigilosos, por isso não é possível repassar nenhuma informação a respeito do caso”, informou, via assessoria de imprensa, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. 
A mesma postura assumiu a Secretaria de Criança, que diz não ser possível repassar nenhuma informação de acompanhamento de Conselhos Tutelares por serem sigilosos. O Jornal de Brasília também tentou, sem sucesso, contato com o pai, seu advogado, com a avó e tia paternas, mas nenhum atendeu ou retornou às ligações.  
A Defensoria Pública informou que o atendimento técnico é acobertado pelo sigilo das informações, mas ressaltou, em nota, que “não está medindo esforços para que este caso seja solucionado da melhor forma possível”.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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